Importância de mais vacinas, fases de desenvolvimento e públicos vacinados: cientistas respondem perguntas da sociedade sobre imunizante da UFPR contra a Covid-19

Com tecnologia que também poderá ser usada para combater outras doenças no futuro, a Vacina UFPR foi tema da ação Pergunte aos Cientistas, da Agência Escola UFPR #AgenciaEscolaUFPR

Por Isabela Stanga 
Sob supervisão de Chirlei Kohls

Quase 300 estudos ao redor do mundo buscam novas opções de vacinas para auxiliar no combate à pandemia de Covid-19, de acordo com documento publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (27). Cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também desenvolvem a Vacina UFPR, que está em fase pré-clínica de testes, mas já com resultados promissores. Nesse contexto, pesquisadores da Universidade respondem perguntas sobre o desenvolvimento da vacina, enviadas pela sociedade por meio da ação Pergunte aos Cientistas, da Agência Escola UFPR.

Em respostas à população, os cientistas esclareceram questões como a logística de transporte e de aplicação do imunizante, as fases de pesquisa, a importância de mais vacinas e quais públicos poderão ser vacinados. Além disso, os pesquisadores também responderam a mais dúvidas da sociedade sobre outros assuntos que envolvem a Covid-19 – as perguntas podem ser enviadas pelo e-mail agenciacomunicacaoufpr@gmail.com ou pelas redes sociais da Agência Escola UFPR (FacebookInstagram e Twitter).

Vacina UFPR possui baixo custo de produção e conta com matéria-prima 100% nacional, o que pode facilitar a vacinação no Brasil. Os cientistas esperam avançar para a fase clínica (em que ocorre a testagem em pessoas) no ano que vem.

A tecnologia do imunizante envolve nanopartículas biodegradáveis, ou seja, partículas muito pequenas que desaparecem no organismo sem causar efeitos colaterais. Essas substâncias se ligam ao SARS-CoV-2 e estimulam o corpo a produzir defesas contra a Covid-19. Até agora, testes em camundongos atestaram que a concentração de anticorpos produzidos pela vacina da UFPR é maior do que a do imunizante da parceria AstraZeneca/Oxford. Além disso, a tecnologia poderá ser usada para combater outras doenças no futuro.

De acordo com um dos desenvolvedores do imunizante, o professor Emanuel Maltempi, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR, os pesquisadores necessitam de apoio para avançar para os próximos testes. “Temos procurado parcerias e já estamos formalizando algumas. O projeto é muito complexo e se queremos chegar à fase clínica e produção, precisamos das parcerias”, explica – confira as parcerias abaixo na resposta ao Rob Hawk.

Através da Campanha Vacina UFPR, a sociedade também pode contribuir para a continuidade dos testes com doações financeiras. É possível encontrar mais detalhes da campanha e também como doar no site da iniciativa.

Além do professor Emanuel, responderam às perguntas desta edição do Pergunte aos Cientistas Breno Castello Branco Beirão, do Departamento de Patologia Básica da UFPR, e Marcelo Müller dos Santos, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade, também responsáveis pelo desenvolvimento da vacina; Patrícia Dalzoto e Juliana Bello Baron Maurer, dos respectivos departamentos; Roseli Wassem, do Departamento de Genética da UFPR, Alexandra Acco e Álvaro Henrique de Lima Silva, professora e mestrando do Departamento de Farmacologia da Universidade. Você pode conferir as respostas dos pesquisadores a seguir:


“Minha pergunta é referente à eficácia e à importância de cada vacina, independente da marca. Infelizmente, muitas pessoas ainda negam vacinas. Qual é a dica dos cientistas para conscientizar a população? E como a vacina da UFPR pode ajudar a acelerar a vacinação?” (Margaret Sievert, professora de ensino fundamental, Pomerode-SC)
Juliana Maurer, cientista UFPR – Olá, Margaret. Podemos destacar a importância das vacinas considerando seus aspectos históricos. Doenças foram erradicadas devido a programas de vacinação de sucesso. Atualmente, essa importância pode ser verificada pela corrida intensa na produção de imunizantes, pois mais de 200 estão sendo produzidos no mundo contra a Covid-19, incluindo a vacina da UFPR, que, no futuro, pode ser uma opção para o nosso programa de vacinação.
Dentre as vacinas que temos disponíveis no mercado, independente de marca, todas passaram pela aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ou seja, são eficazes e apresentam segurança. Tomar a vacina não é uma questão de opinião, ela não interfere somente na sua saúde pessoal, é uma questão de conscientização social e de saúde pública.

Assista abaixo a um vídeo do Pergunte aos Cientistas sobre a importância de mais vacinas, uma produção da Agência Escola UFPR:


“Posso escolher qual vacina vou tomar? Por exemplo: ‘só vou tomar se for a desenvolvida pela UFPR?’ Não que eu deixe de tomar se não for essa, é mais no sentido de poder escolher qual”

Juliana Maurer, cientista UFPR – Agradecemos sua participação. No momento, não é recomendado, nem viável, escolher a “marca” da vacina. Estamos numa corrida contra o tempo. Quanto mais rápido atingir a maior parte da população vacinada, mais rápido a circulação e a transmissão do vírus vão diminuir. Estudos sobre a efetividade das vacinas contra o SARS-Cov 2 também têm demonstrado que a maior taxa de vacinação diminui o número de casos graves e mortes de Covid-19. Assim, considerando o seu exemplo, se você optasse pela vacina da UFPR, não iria se vacinar agora, uma vez que ainda não se tem o imunizante pronto e disponível para população. Dessa forma, a sua escolha faria com que você não tomasse a vacina.

A vacinação sem optar por essa ou aquela marca fará que no momento da sua vez você possa receber o imunizante. Se todos tiverem a mesma atitude, mais rápido atingiremos a imunidade coletiva (que é verificada quando o vírus não consegue se espalhar com facilidade porque a maioria da população está imune). Quanto maior o número de pessoas vacinadas, maior será o benefício para a saúde de todos. O uso adequado de máscara, higienização correta das mãos, distanciamento social e vacinação são as escolhas que podemos optar para superar esse momento tão difícil.


“Gostaria de saber como será a fase clínica da vacina da Universidade, tendo em vista a ampliação da vacinação da população com imunizantes de outros laboratórios. Muito obrigada!” (Gabriela Stanga, 19 anos, estudante da UFPR, São José dos Pinhais-PR)
“Se a população estiver vacinada contra o coronavírus com as vacinas importadas, onde vão encontrar pessoas pra fazer os testes em humanos da vacina que está sendo elaborada na UFPR?” (Paulo Renan Hibener Monteiro, 68 anos, aposentado, Pontal do Paraná-PR)

Breno Beirão, cientista UFPR – Olá, Gabriela e Paulo. Para a nossa fase de testes clínicos (em pessoas), a vacina vai ter que ser testada em duas situações. A primeira delas é em pessoas jovens que estiverem entrando no calendário vacinal para a Covid, ou seja, aquelas pessoas que ainda não tomaram a vacina das outras farmacêuticas. Isso porque todos os anos alguém está entrando no calendário vacinal, é assim para todas as vacinas que nós temos. E, por outro lado também, vamos ter a vacina muito provavelmente sendo testada em pessoas que já foram vacinadas com os imunizantes comerciais, porque há uma hipótese muito forte de que as pessoas tenham que se revacinar anualmente. Se não for o caso, pelo menos vamos saber se a nossa vacina consegue reforçar a resposta daquelas pessoas que já tinham sido imunizadas com algum dos outros produtos do mercado.


“A UFPR começou o desenvolvimento de vacina contra a Covid- 19 por conta própria? Em que etapa se encontra? Por que não fazer parceria com Fiocruz, ou laboratório instalado no Paraná, ou outro estado?” (Rob Hawk)

Emanuel Maltempi de Souza, cientista UFPR – Olá, Rob. Os primeiros experimentos foram realizados utilizando reagentes que tínhamos no laboratório (nós já trabalhávamos com o biomaterial que usamos para produzir as nanopartículas), algum recurso de pesquisa que permitia adquirir material específico para desenvolver a vacina e a infraestrutura da UFPR. Em seguida, foi aprovado nosso projeto em uma chamada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações/Rede vírus. Foi um recurso pequeno, mas essencial para demonstrar que o processo funciona. Nós ainda estamos em fase pré-clínica e acabamos de receber um valor bem maior do Governo do Estado do Paraná (SETI-PR), que nós esperamos que seja suficiente para concluir essa fase. Temos procurado parcerias e já estamos formalizando algumas. O projeto é muito complexo e se queremos chegar à fase clínica (em pessoas) e produção, precisamos das parcerias. Temos parceria já estabelecida com pesquisadores do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz-PR), que vai ser de enorme importância para ensaios com animais; com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), já pensando na fase clínica e produção; com pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para otimizar produção de antígenos; e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Nosso grupo na UFPR também tem se expandido, agregando docentes e estudantes, pois a intenção é criar um centro de desenvolvimento de imunobiológicos no Paraná que possa ser utilizado por pesquisadores de todo o estado para desenvolvimento de vacinas e outros imunobiológicos para aplicação em diversas áreas, não só contra Covid-19. Como você pode ver, estamos abertos para colaborar e desenvolver essa área tão carente aqui no estado do Paraná.


“A vacina da UFPR vai ser em pó ou de aplicação nasal?” (Amanda Rodrigues de Souza, 21 anos, estudante de medicina, Toledo-PR)

Marcelo Müller dos Santos, cientista UFPR – Olá, Amanda. No momento, estamos avançando com os estudos por via subcutânea, ou seja, a via clássica de aplicação muscular com agulhas. Entretanto, a nossa equipe já tem dados com nanopartículas específicas que são capazes de ativar o sistema imune na mucosa nasal. Portanto, há uma possibilidade muito promissora para se adaptar a tecnologia para via intranasal. A entrega da vacina em pó associada às nanopartículas é algo bastante factível e que também apostamos bastante como tecnologia para área de vacinas em geral. Isso é algo que devemos testar em etapas mais avançadas de desenvolvimento. O sucesso de uma tecnologia de entrega em pó pode reduzir o custo da vacinação não somente contra a Covid-19, mas contra outras doenças também.


“Qual o vetor da vacina da UFPR? Já está em qual fase de teste? Ela vai poder ser aplicada em crianças e adolescentes? Já iniciaram os testes aqui no Brasil? Quais os resultados preliminares? Será parecida com a vacina Coronavac?” (Eliane Américo da S Lucena, 40 anos, orientadora educacional, Valparaíso de Goiás-GO)

Marcelo Müller dos Santos, cientista UFPR – Olá, Eliane. A vacina desenvolvida pela UFPR utiliza uma proteína do vírus misturada com nanopartículas de biopolímeros. As nanopartículas funcionam como um veículo para apresentar o antígeno (a proteína do vírus) para o sistema imune. Portanto, não utilizamos vírus recombinante como no caso da AstraZeneca, ou vírus atenuado, como no caso da Coronavac.
O desenvolvimento está em fase pré-clínica, na qual testamos a eficácia e a segurança do imunizante em animais de laboratório. No nosso caso, até o momento, testamos em camundongos. A expectativa é que, devido à alta segurança de vacinas baseadas em proteína, a vacina da UFPR tem boas chances de ser administrada com segurança em crianças e adolescentes. Os resultados preliminares mostram que a tecnologia com nanopartículas é muito promissora quanto à ativação do sistema imune e produção de anticorpos. Com os resultados das fases em progresso, poderemos dizer se os anticorpos produzidos também são bons para proteger da infecção pelo SARS-CoV-2.


“A UFPR pode produzir vacinas para imunizar docentes e discentes?” (Héllen Gonçalves Souza, 19 anos, estudante, Araucária-PR)

Roseli Wassem, cientista UFPR – Cara Hellen, as vacinas só podem ser produzidas seguindo regras nacionais que garantam que todas as etapas são realizadas sob o conhecimento mais atual existente, com segurança, eficácia, pureza etc. O conjunto dessas regras é conhecido como boas práticas de fabricação (ou BPF) e a Anvisa é o órgão responsável pela fiscalização das instalações no Brasil. As condições necessárias para fabricação em práticas de instalações BPF não são atendidas por nenhuma universidade brasileira. Atualmente, Bio-Manguinhos/Fiocruz e Instituto Butantan são as únicas instituições públicas que produzem vacinas para uso em humanos no Brasil. Dessa forma, a UFPR tem um projeto de desenvolvimento de vacina 100% nacional, mas será necessário um parceiro no Paraná – como o Tecpar – para produzir a vacina, após conclusão das fases clínicas, não só para a comunidade interna, mas para atender toda a sociedade brasileira, quando o objetivo for atingido.


“Recebi a primeira dose da vacina Sinovac, no pavilhão da Cura, sendo orientada a retornar para a segunda dose após 21 dias corridos. A pergunta é: caso no dia da segunda dose não esteja disponível a mesma vacina Sinovac, poderei tomar de outro fabricante? Terá algum comprometimento ou reação? Afetará a eficácia? Pelos burbúrios, não é possível tomar vacina de fabricantes diferentes. Gostaria desta orientação e de como proceder caso não tenha a Sinovac para a segunda dose.” (Denise Regina Santos Maciel, 47 anos, funcionária pública, Curitiba-PR)

Patrícia Dalzoto, cientista UFPR – Olá, Denise. A recomendação do Ministério da Saúde é que a segunda dose seja do mesmo laboratório da primeira, ou seja, se você recebeu a primeira dose da Coronavac/Sinovac/Butantan, deverá receber a mesma vacina na segunda dose.
Ainda não há evidências suficientes de que alternar as vacinas seja seguro e eficiente. Recentemente, estudos feitos no Reino Unido, apontaram que é seguro combinar a primeira dose da AstraZeneca/Oxford com a segunda dose da Pfizer/Biontech, porém foram observados mais efeitos adversos nos indivíduos que participaram da pesquisa. Desse modo, embora seja possível que combinar as vacinas favoreça o sistema imune no sentido de ter uma resposta mais forte frente ao SARS-CoV-2, ainda é prematuro afirmar isso. São necessários mais estudos para confirmar essa hipótese.

“Minha mãe faleceu esse ano em decorrência da Covid e quero entender um pouco melhor a respeito. O mínimo de dias que esse vírus fica incubado é de dois dias mesmo? Todo infectado começa mesmo a transmitir o vírus três dias antes do primeiro sintoma? Minha mãe era diabética e ficamos doentes na mesma época. O caso dela foi grave e ela faleceu. No caso dela, com diabetes e Covid grave, isso independe da carga viral que ela tinha? O que agravou foram outros fatores?” (Ana Carolina Gozzi Marques)

Patrícia Dalzoto, cientista UFPR – Olá, Ana Carolina. O tempo de incubação do SARS-CoV-2 pode ser de um a 14 dias, sendo a média em torno de cinco dias. Ou seja, a pessoa pode estar infectada, transmitindo o vírus, mas sem sintomas nesse período. O diabetes é uma condição médica que, sabidamente, leva ao agravamento da Covid-19. A carga viral também é um fator importante, segundo alguns estudos. Outros fatores que podem levar a casos graves são idade avançada e hipertensão.

“Gostaria de esclarecer se há restrição para viagem de avião após tomar a vacina da AstraZeneca, considerando possível risco de trombose. Gostaria de saber se é necessário um intervalo de tempo entre a vacinação e a viagem. Obrigada!” (Joice Mara Facco Stefanello)

Patrícia Dalzoto, cientista UFPR – Olá, Joice. Os casos de trombose após a vacinação com a AstraZeneca, embora reportados, são raros e não há indícios de que essa condição esteja associada com longas viagens de avião. Portanto, não há recomendação médica para que se evite esse tipo de viagem.

“Gostaria de saber por quanto tempo devo manter a máscara após a saída de um prestador de serviços, também usando máscara, de minha casa. Ou posso tirar assim que ele sair?” (Eliane Moraes Galvão Porto, 71 anos, professora e psicóloga, Petrópolis-RJ)

Alexandra Acco, cientista UFPR – Olá, Eliane. É importante sua observação de o prestador de serviços também estar usando máscara. Isso é fundamental, pois o uso adequado de máscaras é muito eficiente para evitar a transmissão viral, uma vez que o SARS-CoV-2 espalha-se através de gotículas respiratórias, que são pequenas gotas de líquido que entram no ar quando uma pessoa tosse, espirra ou fala. O principal modo pelo qual as pessoas são infectadas com SARS-CoV-2 é através da exposição a fluidos respiratórios portadores de vírus infecciosos. A exposição ocorre de três modos principais:
1) pela inalação de gotículas respiratórias muito finas e partículas de aerossol.
2) Pela deposição de gotículas e partículas respiratórias nas membranas mucosas da boca, nariz ou olhos.
3) E pelo contato das membranas mucosas com as mãos que tenham sido contaminadas diretamente por fluidos respiratórios contendo o vírus, ou indiretamente através do contato de superfícies com o vírus.
Um estudo de maio de 2020 descobriu que a conversa em voz alta pode emitir milhares de gotículas para o ar, permanecendo no ar durante cerca de 8-14 minutos. Esse tempo, no entanto, pode variar conforme o clima, pois outros coronavírus sobrevivem durante tempo prolongado em ar mais frio e menos úmido. Como as gotículas da fala permanecem no ar durante pouco tempo dentro de casa, evitar a proximidade entre as pessoas e usar máscaras pode evitar a transmissão, do modo como você está fazendo. Ainda, arejar o ambiente também é uma medida preventiva importante, para renovar o ar do espaço.

“O coronavírus resiste por quanto tempo no mel? Eu aqueço em banho-maria por cinco minutos até ficar fino”

Alexandra Acco, cientista UFPR – Diferentes estudos mostraram que o SARS-CoV-2 pode persistir em diferentes locais durante alguns dias, sob diferentes condições, tais como refrigeração, congelamento e nos objetos em casa. Alguns estudos mostraram que esse vírus pode sobreviver 24 horas em papelão e 72 horas em plástico, materiais utilizados em embalagens de vegetais e outros alimentos, mas não há estudos sobre sua permanência no mel especificamente. Até o momento, acredita-se que os alimentos ou embalagens de alimentos estejam minimamente associados à transmissão da SARS-CoV-2. No entanto, esse risco, mesmo sendo considerado improvável, não pode ser definitivamente descartado, já que o vírus continua a se espalhar pelo mundo. Por isso, a higiene dos alimentos, especialmente dos frescos e não processados, deve existir em casa e restaurantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere lavar os vegetais normalmente e lavar bem as mãos antes de comer. Ainda, não se deve compartilhar talheres, copos ou pratos com pessoas que possam ter a Covid-19.
Você comentou que ferve o mel em banho-maria, que é um bom método contra a contaminação viral, pois o processamento térmico é eficaz para inativar o coronavírus. Estudos mostraram que o aquecimento a 75°C (15-60 min) foi a melhor temperatura para inativação dos vírus SARS-CoV.
Vale lembrar que há estudos com mel, própolis e seus componentes que avaliam os efeitos biológicos contra a SARS-CoV-2, como auxiliares na terapia da Covid-19. Um estudo clínico com pacientes com Covid-19 mostrou efeitos benéficos na recuperação dos sintomas e alta hospitalar. Embora preliminares, os resultados foram promissores.

“Minha dúvida é em relação ao uso de sapato fechado para evitar a contaminação pela Covid-19. O vírus é absorvido pela pele? Não precisa de mucosa para sobreviver? O uso de sapatilhas com o peito do pé descoberto não é recomendado?” (Cleizie Adriana Grecco, 49 anos, professora, Londrina-PR)

Álvaro Henrique de Lima Silva, cientista UFPR – Olá, Cleizie. No início da pandemia, existia uma grande preocupação com contaminação pelo coronavírus através de superfícies. Nesse sentido, vários estudos foram feitos para quantificar o tempo de permanência do vírus em diferentes locais. No caso da pele, foi constatado que o coronavírus pode se manter viável por cerca de nove horas, e se estiver envolvido por uma mucosa, esse tempo pode ser ainda maior. No entanto, a contaminação direta não ocorre, pois o vírus não é absorvido pela pele e não tem a capacidade de “saltar”. Assim, é importante esclarecer que, para ocorrer a contaminação, seria preciso levar a mão que passou na região contaminada com o vírus ao nariz, à boca ou aos olhos. Além disso, estudos recentes demonstraram que a principal forma de contaminação da Covid-19 é por via respiratória, e não pelo contato com superfícies. Por esse motivo, a importância de lavar as mãos com frequência e usar o álcool gel, além de evitar aglomerações e ambientes fechados, manter o distanciamento e o uso de máscaras, é mais relevante para conter a transmissão e o contágio viral. Mantendo esses cuidados, o uso do calçado aberto não é um grande problema.

Para ver mais respostas dos cientistas sobre a Covid-19, clique aqui.

Foto de destaque: Marcos Solivan/Sucom-UFPR, com projeto gráfico de Gabriela Tacla e diagramação da arte de Ana Polena

Publicado originalmente em Agência Escola UFPR